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A PRESENÇA FEMININA NO JORNALISMO DE FEIRA DE SANTANA

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Redação
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
23/09/2026 às 18h57
A PRESENÇA FEMININA NO JORNALISMO DE FEIRA DE SANTANA
Foto: Divulgação - Arquivo ZMP

Foto: Divulgação - Arquivo ZMP

O jornalismo, como tantas outras atividades existentes, registrou, no início, por diferentes razões, a predominância masculina. Em Feira de Santana, cujo primeiro jornal data do final do século XIX, não foi diferente. Em 1972, portanto, há 52 anos, a jornalista Socorro Pitombo, na sucursal do Jornal da Bahia, quebrou esse paradigma e abriu caminho, de forma alvissareira, para a presença feminina cada vez maior nesse meio de comunicação.

O jornalismo em Feira de Santana, desde o surgimento dos primeiros periódicos no final do século XIX, o pioneiro teria sido O Feirense, em 1862, foi praticado quase que exclusivamente por homens, até porque havia sempre o idealismo em jogo e, em maior proporção, o interesse político. A presença feminina nas páginas impressas tipograficamente era rara, salvo em espaços dedicados a poemas, notas sociais e teatro, e isso de forma ocasional. O jornalismo era concentrado em informações urbanas e fatos de maior relevância fora do município, geralmente de atenção do órgão informativo, por razões óbvias à sua razão existencial.

Pode-se dizer que o jornalismo pautado com similaridade ao modelo atual, que mobiliza repórteres especializados em constante correria, deslocamentos, estudos, investigações, análises e muito mais, só começou a ser praticado na Cidade Princesa na década de 1960, século passado, com o surgimento das sucursais de jornais da capital em Feira de Santana. Mas sem mudança na operacionalidade em termos dos recursos humanos. O trabalho, então já com intensa atividade, cobertura policial, acompanhando cada passo da Polícia, os jogos de futebol, o movimento da economia, os eventos da sociedade e os festejos, continuou sendo exercido por homens, sem que houvesse qualquer conotação machista.

Esse paradigma foi quebrado no início da década de 1970, com o ingresso da feirense Socorro Pitombo na sucursal do Jornal da Bahia, localizada em um imóvel pertencente à família Falcão, na Rua Conselheiro Franco, que também sediava o escritório do doutor Wilson Falcão, então deputado federal. A sucursal do JB era dirigida por Ricardo Falcão, Cacau, e pela professora Adnil Falcão, que, na mesma época, foi uma eficiente secretária de Administração e chefe de Gabinete do prefeito Newton da Costa Falcão, entre 1972 e 1973, que era seu pai.

Em 1972, na sucursal do JB, ocupando o lugar de Zadir M. Porto, que foi para a Tribuna da Bahia, Socorro Pitombo, recém-formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), imprimiu seus conhecimentos acadêmicos à indispensável prática, logo adquirida, conceituando-se profissionalmente. Sobretudo, era educada e afável, generalizando simpatia onde estivesse. Depois do JB, ela ocupou assessorias, inclusive na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

A partir daí, a presença feminina no jornalismo feirense ganhou proporção com o surgimento de excelentes profissionais. O final da década de 1970 marcou esse novo ciclo, de forma natural, agregando nomes de alta qualidade profissional, como Madalena de Jesus, até hoje atuando com grande destaque, Maura Sérgia, Neire Matos, Isa Lee, Conceição Lobo, Elis Regina e Aparecida Machado, estas três últimas de saudosa lembrança.

Dona de texto rico e compatível com a realidade, Socorro Pitombo faleceu aos 78 anos de idade, em 9 de janeiro de 2022, mas o caminho aberto por ela no jornalismo feirense frutificou qualitativamente, e logo a presença feminina tornou-se sólida e duradoura.

Por Zadir Marques Porto.



Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
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